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Tratamento de pneumonia: terapias adjuvantes

Apesar de amplamente estudada, a pneumonia ainda figura entre as principais causas de internação hospitalar e mortalidade. Estudos recentes têm demonstrado evidências no tratamento adjunto da pneumonia com prednisona, com benefícios sobre tempo de hospitalização.

 Pacientes adultos de sete hospitais terciários da Suíça1,2 foram randomizados para tratamento usual para pneumonia, com ou sem a administração de Prednisona 50 mg/dia, por 7 dias. Foram excluídos pacientes imunossuprimidos ou com doença pulmonar estrutural.

Do resultado encontrado, o tempo necessário para estabilidade clínica foi reduzido (média 3.0 vs 4.4 dias), bem como o tempo até a alta hospitalar (em média, 1 dia a menos no grupo de intervenção). No seguimento em 30 dias, as complicações foram semelhantes nos dois grupos, embora os pacientes que receberam corticoide apresentaram, com mais frequência, episódios de hiperglicemia (colateral já esperado).

 Importante observar que o estudo incluiu somente pacientes hospitalizados, mas que não necessitaram de suporte crítico. De qualquer forma, a hipótese de que a associação do corticoide melhora o desfecho da infecção respiratória por reduzir o grau de inflamação, mas sem imunossuprimir, é razoável. Apesar do tempo curto de administração da prednisona, é possível que haja repercussões tardias do uso de altas doses (próximas de 1 mg/Kg/dia) nos pacientes tratados.

Outro ponto (este, com mais validações na literatura)3 é o uso dos antivirais (como quimioprofilaxia ou tratamento) nas infecções respiratórias. O protocolo do Ministério da Saúde recomenda que, para todo caso de Síndrome Gripal (A ou B) ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, independente de confirmação diagnóstica laboratorial, seja prescrito o antiviral (escolha: Oseltamivir). Importante ressaltar que a quimioprofilaxia com antiviral geralmente não é recomendada se o período após a última exposição a uma pessoa com infecção pelo vírus for maior que 48 horas. Além disso, para que a quimioprofilaxia seja efetiva, o antiviral deve ser administrado durante a potencial exposição à pessoa com influenza e continuar por mais sete dias após o contato.

É prática também recomendada pelo Ministério da Saúde a prescrição de vacinaçãoo anti-influenza anual e pneumocócica a cada 5 anos para os pacientes adultos considerados de risco: doenças crônicas (cardiopatia, pneumopatia, diabetes etilistas, cirrose, IRC, imunossupressão, transplantados).

Estas orientações nem sempre estão alinhadas à prática diária da maioria dos profissionais (muitas vezes porque ainda não têm validações suficientes na literatura), porém, é importante que o médico moderno esteja sempre atualizado em termos de conduta e tratamento.


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Referências

  1. Blum CA et al. Adjunct prednisone therapy for patients with community-acquired pneumonia: A multicentre, double-blind, randomised, placebo-controlled trial. Lancet 2015 Jan 18; [e-pub ahead of print]. (http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(14)62447-8)
  1. Annane D.Corticosteroids and pneumonia: Time to change practice. Lancet 2015 Jan 18; [e-pub ahead of print]. (http://dx.doi.org/10.1016/S0140-6736(14)62391-6)
  1. Protocolo de tratamento da Influenza. Ministério da Saúde, 2014.

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